De uma mulher gorda para tantas outras. Uma história que começou com uma lingerie que não existia e se transformou em uma marca que acredita que nenhum corpo deveria ser deixado de fora.

Tudo começou com uma lingerie que eu não conseguia encontrar.

Era uma ocasião especial. Eu queria uma lingerie bonita para comemorar meu aniversário de casamento. Nada extraordinário, certo? Uma mulher querendo escolher uma peça que a fizesse se sentir bem.

Mas havia um problema: eu era uma mulher gorda.

E, aparentemente, o mercado de lingerie não tinha pensado muito em mulheres como eu.

Procurei nas lojas, tentei encontrar alternativas e cheguei a viajar mais de três horas, do Rio de Janeiro até Nova Friburgo, um dos principais polos de lingerie do país, em busca de uma peça que me atendesse.

Não encontrei o que queria.

O que encontrei foi um mercado que parecia acreditar que mulheres gordas não precisavam de variedade, sensualidade ou estilo. Bastava que alguma coisa servisse. E, muitas vezes, nem isso.

Acabei comprando peças que não eram exatamente o que eu procurava. Algumas ficaram guardadas em uma mala.

Mas aquela experiência não saiu da minha cabeça.

Por que uma coisa tão simples quanto comprar uma lingerie bonita precisava ser tão difícil?

E, principalmente, quantas outras mulheres estavam passando pela mesma situação?

De uma necessidade pessoal nasceu a GG.rie

Eu era professora de inglês, não uma empresária do mundo da moda. Não tinha uma grande estrutura, investidores ou um plano mirabolante de negócios.

Tinha uma necessidade, uma inquietação e a certeza de que não deveria ser tão difícil encontrar lingerie bonita em tamanhos maiores.

Com R$ 1.000 emprestados pela minha mãe, comecei a transformar aquela insatisfação em alguma coisa concreta.

Assim nasceu a GG.rie, em 2015.

Uma marca de lingerie plus size criada por uma mulher gorda que conhecia, na própria pele, as dificuldades de encontrar peças que combinassem com seu corpo e com seu gosto.

E eu logo percebi que não estava sozinha.

Havia mulheres procurando renda, transparência, cores, sensualidade, conforto, sustentação, delicadeza. Mulheres que queriam peças para ocasiões especiais e outras que só desejavam uma calcinha confortável para trabalhar.

Mulheres diferentes, com corpos diferentes, querendo coisas diferentes.

O problema nunca foi a falta de desejo dessas mulheres. Foi a falta de interesse do mercado em atendê-las.

Não basta aumentar o tamanho. É preciso ampliar as possibilidades.

Desde o começo, uma das coisas que mais me incomodavam era a maneira como a moda tratava mulheres gordas como se todas fossem iguais.

Como se todas tivessem seios grandes. Como se todas quisessem esconder a barriga. Como se todas gostassem das mesmas modelagens. Como se a única função de uma lingerie plus size fosse disfarçar alguma coisa.

Mas corpos gordos são diversos.

Existem mulheres com seios pequenos e costas largas. Mulheres com quadris maiores, barrigas proeminentes, cinturas marcadas ou não. Mulheres que adoram bojo, outras que não suportam. Algumas preferem calcinhas altas, outras querem modelos menores.

E nenhuma dessas preferências é mais correta do que a outra.

Por isso, sempre acreditei que inclusão não poderia significar simplesmente produzir uma peça maior.

Precisávamos pensar em modelagens, tecidos, conforto, sustentação, estética e, acima de tudo, em liberdade de escolha.

A verdadeira inclusão acontece quando uma mulher pode escolher o que quer vestir, e não apenas aceitar o que existe no seu tamanho.

A representatividade também faz parte da nossa história

Desde os primeiros anos da GG.rie, fiz questão de mostrar mulheres gordas vestindo nossas peças.

Mulheres reais, com corpos diferentes, muitas vezes amigas, clientes e pessoas que fazem parte da nossa história.

Sem transformar seus corpos em algo que precisasse ser corrigido antes de aparecer em uma fotografia.

Porque eu sei o quanto importa entrar em uma loja e se reconhecer nas imagens.

Em 2021, levamos a GG.rie ao Shark Tank Brasil. E, naquele palco, três mulheres gordas apresentaram nossas lingeries em rede nacional.

Para mim, aquilo representava muito mais do que uma oportunidade de negócios.

Era a possibilidade de ocupar um espaço onde corpos como os nossos raramente eram vistos daquela maneira: com protagonismo, sensualidade e confiança.

Mas a representatividade não termina na fotografia.

Ela também está nas oportunidades que criamos, nas profissionais com quem trabalhamos, na maneira como atendemos nossas clientes e no respeito com que tratamos cada corpo.

Não queremos dizer como você deve se sentir sobre seu corpo

Existe uma cobrança enorme para que mulheres estejam sempre tentando mudar alguma coisa em si mesmas.

E, às vezes, até os discursos de autoestima acabam se transformando em mais uma obrigação.

Você precisa se amar. Precisa se achar linda. Precisa se sentir poderosa todos os dias.

Mas não precisa.

Você pode ter dias bons e ruins com o espelho. Pode amar uma parte do seu corpo e não gostar tanto de outra. Pode querer uma lingerie sensual hoje e uma peça básica amanhã.

Pode usar uma modeladora porque gosta do efeito que ela proporciona. Pode preferir uma peça sem compressão alguma.

O que importa é que essa decisão seja sua.

A GG.rie não existe para dizer como você deve se sentir, como deve se vestir ou qual deveria ser sua relação com o próprio corpo.

Existimos porque você merece ter opções independentemente de tudo isso.

Uma marca feita de mulheres, histórias e recomeços

Ao longo dos anos, a GG.rie cresceu, participou de feiras, abriu espaços físicos, chegou à televisão e encontrou mulheres de diferentes lugares do Brasil.

Também enfrentamos dificuldades.

Somos uma pequena empresa. Já tivemos que mudar planos, repensar caminhos e encontrar maneiras de continuar.

A pandemia foi um desses momentos. Foi preciso reinventar o trabalho, fortalecer nossa presença digital e, principalmente, manter a conexão com as mulheres que sempre fizeram parte da nossa história.

E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que aprendi empreendendo: uma marca não é construída apenas por quem a criou.

Ela também é construída por quem acredita nela.

Por cada cliente que compartilha uma experiência, sugere uma melhoria, volta para comprar, recomenda para uma amiga ou simplesmente encontra aqui uma peça que procurava havia muito tempo.

A GG.rie continua aprendendo, mudando e crescendo.

Não somos uma marca perfeita. Ainda existem limitações de produção, tamanhos e modelagens que queremos superar.

Mas existe algo que permanece desde aquela primeira viagem a Nova Friburgo: a vontade de fazer diferente.

E o que tudo isso tem a ver com você?

Talvez você tenha chegado ao nosso site procurando um sutiã que ofereça sustentação sem abrir mão da beleza.

Talvez esteja procurando uma calcinha confortável para passar o dia inteiro.

Talvez queira renda, transparência, cores, uma lingerie especial ou apenas renovar sua gaveta.

Talvez você nem conheça a nossa história e só tenha gostado de uma peça.

E está tudo bem.

Você não precisa compartilhar de todas as nossas ideias para comprar aqui. Não precisa ter uma relação perfeita com seu corpo, gostar de se fotografar ou transformar a compra de uma calcinha em um ato político.

Mas queremos que você saiba que existe uma história por trás dessa marca.

Uma história que começou quando uma mulher gorda procurou uma lingerie bonita e descobriu que o mercado não tinha muitas opções para oferecer.

Hoje, mais de dez anos depois, continuamos acreditando que isso precisa mudar.

Porque mulheres gordas não deveriam agradecer por encontrar alguma coisa que sirva. Deveriam ter a liberdade de escolher aquilo de que gostam.

Foi por isso que a GG.rie nasceu.

É por isso que continuamos aqui.

E é por isso que cada mulher que chega até nós importa.

Com carinho,

Allyne Turano
Fundadora da GG.rie

GG.rie — lingerie plus size.